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Data steward: o que faz, quanto ganha e como se tornar

Data steward: o que faz esse profissional de governança de dados, quanto ganha, como se tornar um e quais ferramentas de MDM ele usa no dia a dia.

Paulo Cordeiro10 min de leitura

O data steward é o profissional responsável por cuidar da qualidade, da padronização e do uso correto dos dados dentro de um domínio da empresa, como clientes, fornecedores, materiais ou produtos. É quem garante, no dia a dia, que o dado esteja limpo, completo, sem duplicidade e pronto para ser usado por quem depende dele. Se você trabalha com cadastro, dados, governança ou operação e quer entender o que faz um data steward, quanto ganha e como se tornar um, este guia foi feito para você.

Vou tratar o tema como trato tudo em governança de dados: sem enfeite e sem a ideia de que basta dar um título novo para alguém e o problema se resolve. Na prática, o data steward é a função que sustenta a governança lá onde ela realmente acontece, no registro, na tela do sistema, no momento em que o dado é criado. E é justamente esse papel que a maioria das empresas ainda trata como tarefa de segunda categoria.

O que é o data steward

Data steward é uma expressão que se traduz mais ou menos como administrador ou curador de dados. A palavra steward, em inglês, tem esse sentido de quem zela por algo que é de outra pessoa. E é exatamente isso que ele faz. O data steward não é dono do dado, ele é o guardião da qualidade daquele dado em nome da empresa e das áreas que dependem dele.

Enquanto conceitos como governança de dados, qualidade de dados e Master Data Management descrevem a estrutura e as regras, o data steward é quem coloca tudo isso para funcionar na operação. Ele traduz política em prática. Uma regra de que todo fornecedor precisa ter CNPJ validado só vira realidade quando existe alguém garantindo que nenhum fornecedor entre na base sem esse dado. Esse alguém é o data steward.

O ponto que pouca gente percebe é que essa função não nasceu com um nome bonito em inglês. Em muitas empresas brasileiras, o data steward já existe há anos com outro crachá: analista de cadastro, analista de dados mestres, responsável pelo cadastro de materiais. O que mudou foi o entendimento de que esse trabalho não é digitação, é governança. Quem cuida do cadastro está cuidando da fonte de onde saem os relatórios, as compras, as vendas e, cada vez mais, as decisões de inteligência artificial.

O que o data steward faz na prática

O trabalho do data steward gira em torno de garantir que o dado nasça certo e continue confiável ao longo do tempo. Ele define e aplica regras de padronização, valida cadastros novos, corrige registros errados, elimina duplicidades, acompanha indicadores de qualidade e serve de ponte entre a área de negócio, que conhece o dado, e a área de tecnologia, que guarda o dado. Não é um papel de bastidor. É um papel de fronteira, no meio de todo mundo que usa a informação.

Deixa eu dar um exemplo que aparece muito nas empresas. O time de compras precisa cadastrar um novo material para uma requisição urgente. Sem alguém cuidando disso, o comprador cria o item do jeito que dá, com uma descrição genérica como parafuso preto grande. Semanas depois, outra pessoa cria de novo o mesmo parafuso com outra descrição. Agora existem dois cadastros para o mesmo item. O estoque aparece dividido, a análise de consumo fica errada e a negociação com o fornecedor perde força porque ninguém enxerga o volume real de compra. O data steward é quem evita que isso aconteça, definindo o padrão de descrição, revisando o cadastro na entrada e barrando a duplicidade antes que ela vire custo.

E aqui entra a conexão que eu sempre faço. O data steward não trabalha no achismo. Ele precisa de regras claras, de um dicionário de dados que diga o que cada campo significa, de indicadores que mostrem onde a base está furada e de um processo que dê a ele autoridade para dizer não. Sem isso, o data steward vira apenas quem apaga incêndio, corrigindo erro depois que o estrago já foi feito. Com isso, ele passa a atuar na prevenção, que é onde o dado realmente melhora.

Data steward, data owner e data custodian: quem é quem

Uma dúvida comum é como o data steward se encaixa no meio dos outros papéis de governança de dados. O data owner é o dono do dado dentro de uma área de negócio, quem responde pelas regras e decisões daquele domínio. Ele é normalmente um gestor, um coordenador ou um gerente, e não mexe no dado no dia a dia. O data custodian, ou custodiante, é quem cuida da parte técnica, a infraestrutura, o banco de dados, a segurança e os backups, geralmente alguém de TI.

O data steward fica no meio desses dois mundos. Ele recebe do data owner as regras de negócio e garante que elas sejam cumpridas no dado real, apoiado pela estrutura técnica que o custodian mantém. Uma forma simples de lembrar: o data owner decide, o data custodian guarda e o data steward cuida. Em empresas mais maduras, existe ainda o Chief Data Officer coordenando a estratégia de dados por cima de todos. O data steward é a peça operacional dessa engrenagem, e é a que mais falta gente qualificada no mercado.

Onde o data steward atua: por domínio de dados

Na prática, não existe um data steward genérico que cuida de tudo. O trabalho se organiza por domínio, porque cada tipo de dado tem suas próprias regras. O data steward de fornecedores entende de CNPJ, de homologação, de dados fiscais e bancários. O data steward de clientes cuida da visão única do cliente, evita que o mesmo cliente apareça de três formas diferentes e cruza cadastros de áreas distintas. O data steward de materiais domina taxonomia, classificação, unidade de medida, NCM e descrição padronizada.

Essa divisão importa porque governança de dado bom exige conhecimento do negócio, não só do sistema. Ninguém padroniza cadastro de materiais MRO sem entender de manutenção. Ninguém organiza a base de fornecedores sem entender de compras e compliance. É por isso que o data steward costuma vir de dentro da operação, de alguém que já conhece a dor daquele domínio. O melhor data steward não é o que mais sabe de tecnologia, é o que melhor entende o que aquele dado significa para quem usa.

Quais ferramentas o data steward usa

O data steward não vive só de planilha, embora muita empresa ainda comece por aí. À medida que a governança amadurece, ele passa a contar com ferramentas que sustentam o trabalho. As plataformas de Master Data Management são o centro dessa operação, porque é nelas que o cadastro é criado, validado por workflow e mantido sem duplicidade. No mercado, as principais são SAP Master Data Governance, Informatica, Stibo Systems, Reltio, Semarchy, Profisee e Ataccama.

Do lado da qualidade de dados, ferramentas como Informatica Data Quality e Ataccama ajudam a medir, monitorar e limpar a base de forma contínua. Para encontrar e entender o dado, entram os catálogos de dados e as ferramentas de metadados, como Collibra, Alation e Microsoft Purview, que ajudam o data steward a saber onde a informação está e o que ela significa. Cito essas ferramentas de forma informativa, porque a escolha depende do contexto. A ferramenta certa é a que resolve o problema real da empresa, não a mais badalada do mercado. E vale um lembrete que repito sempre: ferramenta nenhuma faz governança sozinha. Sem o data steward por trás, aplicando regra e critério, o software só organiza o erro mais rápido.

Como se tornar um data steward

Não existe uma graduação obrigatória para ser data steward, e isso é uma boa notícia, porque abre a porta para gente de perfis diferentes. Vejo três origens que funcionam muito bem. Profissionais de cadastro e operação, que já conhecem por dentro onde o dado nasce e como ele se desorganiza. Profissionais de áreas de negócio, como compras, supply chain e financeiro, que entendem o significado do dado. E profissionais de dados e tecnologia que querem sair do puramente técnico e se aproximar do negócio.

O caminho de estudo passa por dominar os fundamentos de governança de dados e Master Data Management, entender as dimensões de qualidade de dados, aprender a organizar taxonomia e padronização e ter noção de LGPD, já que boa parte do dado que o steward cuida é dado pessoal. Do lado das certificações, a mais reconhecida internacionalmente é a CDMP da DAMA, baseada no guia DAMA-DMBOK, que constrói a base conceitual de toda a gestão de dados. Um pouco de SQL também ajuda bastante, porque permite ao steward conferir a própria base sem depender de ninguém.

Mas a habilidade que mais falta nesse mercado não está em nenhuma certificação: é saber conversar. O bom data steward senta com o comprador, com o pessoal do estoque, com o analista financeiro e com a TI, e faz todo mundo concordar com um padrão. Ele negocia, explica o porquê da regra e mostra o impacto do dado ruim em linguagem de negócio. Quem só sabe apontar erro cria resistência. Quem sabe engajar as áreas em torno da qualidade se torna indispensável.

Quanto ganha e quais são as oportunidades

A demanda por data stewards cresceu junto com a percepção de que dado ruim custa caro e de que inteligência artificial só funciona sobre base confiável. Isso valorizou a função. No Brasil, a remuneração de um data steward, muitas vezes anunciada como analista de governança de dados ou analista de dados mestres, costuma variar bastante conforme a senioridade e o porte da empresa, indo de faixas iniciais para quem está começando até valores bem mais altos para posições plenas e sêniores com escopo amplo e responsabilidade sobre domínios críticos.

O valor sobe conforme o profissional acumula conhecimento de negócio, domínio de ferramentas de MDM e capacidade de liderar a padronização de uma base inteira. Setores mais regulados e empresas com operações grandes de compras e supply chain tendem a pagar mais, porque o impacto do dado errado ali é maior. É uma carreira em alta, com procura maior do que a oferta de gente realmente preparada, e com um caminho de evolução claro. De data steward para coordenador de governança, de coordenador para gerente de dados, e daí para posições de liderança como o Chief Data Officer. Poucas áreas oferecem uma trilha tão nítida para quem começa na base da operação.

Principais dúvidas sobre o data steward

Data steward é a mesma coisa que analista de cadastro? Não exatamente, mas a origem costuma ser essa. O analista de cadastro executa o registro. O data steward assume a responsabilidade pela qualidade, pela padronização e pela governança daquele dado. Muitos data stewards começaram como analistas de cadastro e evoluíram ao ampliar a visão de negócio e de governança.

Qual a diferença entre data steward e data owner? O data owner é o dono do dado dentro da área de negócio e responde pelas regras e decisões daquele domínio. O data steward é quem cuida da qualidade e da padronização no dia a dia, aplicando essas regras no dado real. O owner decide, o steward cuida.

Preciso saber programar para ser data steward? Não. O data steward é uma função de governança, não de desenvolvimento. Conhecer um pouco de SQL ajuda a conferir a base, mas o mais importante é entender o negócio, o significado do dado e saber conversar com as áreas.

Data steward precisa de certificação? Não é obrigatório, mas ajuda. A certificação CDMP da DAMA é a referência internacional em gestão de dados. Mais do que o certificado, o que conta é conhecer os fundamentos de governança e ter experiência real com um domínio de dados.

O data steward trabalha sozinho? Não. Ele atua em rede, conectando data owners das áreas de negócio, o time técnico que sustenta os sistemas e os usuários que consomem o dado. Boa parte do trabalho é articulação e alinhamento entre pessoas, não só correção de registro.

MDM Academy: onde a governança forma o data steward

Tem um ponto que quero deixar claro para quem está pensando nessa carreira. O data steward é a função que mais cresce em importância e a que menos tem gente preparada no Brasil. As empresas precisam desse profissional, mas quase ninguém ensina de verdade como cuidar de um domínio de dados na prática. E é por isso que a MDM Academy existe.

A MDM Academy é a escola de governança e dados mestres da 4MDG, criada para formar os profissionais que o mercado brasileiro precisa e não encontra. A gente ensina governança de dados, Master Data Management, qualidade de dados, cadastro e padronização com linguagem prática e exemplos reais de projeto, não teoria de manual. Para quem quer ser data steward, sair da execução de cadastro e assumir a governança de um domínio é exatamente o salto que a formação ajuda a dar.

Se esse é o caminho que você quer seguir, conheça a MDM Academy e entre no Clube dos Dados. É onde a gente troca conhecimento, discute casos reais e forma a próxima geração de profissionais de dados do Brasil.

Conclusão

O data steward é uma das funções mais estratégicas e mais subestimadas da governança de dados. Estratégica porque é quem garante, no ponto exato onde o dado nasce, que a empresa possa confiar na própria informação. Subestimada porque muita gente ainda enxerga esse trabalho como cadastro burocrático, quando na verdade é a base de tudo que vem depois, do relatório à decisão de inteligência artificial.

Se você quer entrar nessa área, comece a olhar o cadastro com outros olhos. Cada registro que você padroniza, cada duplicidade que você elimina, cada regra que você faz uma área respeitar é governança acontecendo de verdade. É esse olhar que transforma um analista de cadastro em data steward, e um data steward em peça central da estratégia de dados da empresa. O mercado está procurando essas pessoas. A pergunta é se você vai estar preparado quando a vaga aparecer.

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