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MDM na nuvem: as vantagens da plataforma SaaS de dados mestres sobre o modelo on-premise

MDM na nuvem: o que é, como funciona e por que a plataforma SaaS de dados mestres reduz a barreira de infraestrutura na governança.

Paulo Cordeiro8 min de leitura

MDM na nuvem é o modelo de Master Data Management em que a plataforma de dados mestres roda como serviço, hospedada pelo fornecedor, acessada pela internet, sem servidor para a empresa manter e sem time dedicado a cuidar de banco de dados, backup e atualização de versão. A empresa contrata, conecta ao ERP que já usa, seja SAP, TOTVS ou Oracle, e começa a governar clientes, fornecedores e materiais sem abrir um projeto de infraestrutura antes de abrir o projeto de dados.

Passei quase vinte anos implementando SAP dentro de empresas grandes. Em boa parte desses projetos, o cadastro de clientes, fornecedores e materiais vivia dentro do próprio ERP, em tabelas que só o time de TI enxergava direito. Quando a empresa queria discutir um projeto de governança de dados mestres, a primeira pergunta do diretor de TI era sempre a mesma: quanto servidor isso vai exigir, quanto licença de banco de dados, quanto tempo de homologação de ambiente antes de o usuário de compras ver a primeira tela.

Hoje essa pergunta muda. A empresa que escolhe uma plataforma de MDM na nuvem assina um contrato de serviço, recebe um ambiente já disponível e integra com o SAP ou com o Oracle por API, sem comprar hardware e sem esperar meses de infraestrutura. Isso não significa que governança de dados ficou simples. Significa que a parte de tecnologia deixou de ser o gargalo.

O que é MDM na nuvem e por que ele existe

MDM na nuvem é a entrega de Master Data Management no formato SaaS, software como serviço. A diferença para o modelo on-premise está em quem mantém a infraestrutura. No on-premise, a empresa compra licença, instala o software em servidor próprio ou em data center contratado, e o time de TI interno cuida de atualização, segurança e capacidade. No modelo em nuvem, o fornecedor da plataforma cuida de tudo isso, e a empresa paga por uso, geralmente em um modelo de assinatura mensal ou anual.

Esse modelo existe porque o MDM tradicional sempre foi visto como um projeto pesado, de muitos meses, com forte dependência de TI. Parte dessa fama vem justamente da infraestrutura. Uma plataforma de dados mestres em nuvem reduz essa barreira de entrada. Uma empresa de porte médio, que nunca teria orçamento para montar um cluster de banco de dados dedicado a MDM, consegue contratar uma assinatura e começar a sanear o cadastro de fornecedores em semanas, não em um ano de projeto de infraestrutura.

Como funciona na prática dentro da empresa

O fluxo de trabalho muda pouco em relação ao MDM tradicional. O que muda é onde a plataforma roda e como ela conversa com o resto do ambiente da empresa.

Os dados de clientes, fornecedores e materiais continuam entrando pelo ERP, pela área de compras, pelo time comercial ou por uma integração automática. A plataforma de MDM na nuvem recebe esses dados por API, aplica as regras de qualidade definidas pela empresa, verifica duplicidade, confere a situação cadastral de um fornecedor junto à Receita, padroniza a descrição de um material e devolve o registro aprovado para o SAP, para o TOTVS ou para o Oracle, sem que ninguém precise abrir duas telas diferentes para fazer esse trabalho manualmente.

A diferença real aparece na manutenção. Quando sai uma nova versão da plataforma, com uma regra de validação melhor ou uma tela mais rápida, ela chega para todos os clientes ao mesmo tempo, sem que a empresa precise abrir um projeto interno de upgrade. No modelo on-premise, cada atualização de versão costuma virar um projeto à parte, com teste, homologação e janela de parada. Isso significa também menos risco de a empresa ficar presa numa versão antiga porque ninguém teve orçamento para atualizar.

Quem decide e quem usa a plataforma

A decisão de migrar para MDM na nuvem normalmente passa pela área de TI, pelo CDO quando a empresa tem essa posição, e pela diretoria financeira, que compara o custo de uma assinatura com o custo de manter infraestrutura própria. Mas quem sente a diferença no dia a dia é outro grupo: o data steward que cadastra e corrige fornecedor, o analista de compras que precisa homologar um novo parceiro, o time de cadastro de materiais que lida com a padronização descritiva, e o auditor que precisa provar, a qualquer momento, que o processo de governança está documentado.

Esse detalhe importa porque um projeto de MDM que só interessa à TI tende a travar. Quando a plataforma roda em nuvem e fica acessível por navegador, sem VPN complicada nem instalação de cliente pesado na máquina do usuário, fica mais fácil levar a área de negócio para dentro do processo de governança, e não só a TI.

Quais ferramentas de MDM existem no mercado

O mercado de MDM tem fornecedores com histórico forte em ambiente corporativo, e a maioria hoje oferece algum caminho para nuvem, mesmo quando a origem do produto é on-premise. O SAP Master Data Governance, o SAP MDG, nasceu dentro do ambiente SAP e é a escolha natural para empresa que já roda o SAP S/4HANA e quer manter tudo no mesmo fornecedor, com opção de implantação em nuvem via RISE with SAP.

A Informatica, a Stibo Systems e a Reltio têm plataformas de MDM com forte presença em nuvem, cada uma com histórico mais forte em um domínio, seja dados de produto, seja dados de cliente. A Semarchy e a Profisee são conhecidas por um modelo mais flexível de implantação, com opção de nuvem pública. A Ataccama atua tanto em MDM quanto em qualidade de dados, com plataforma nativa em nuvem.

Nenhuma dessas ferramentas resolve sozinha o problema de dado ruim. A tecnologia entrega a estrutura. A governança, a regra de negócio e o dono do dado continuam sendo responsabilidade da empresa, estejam os dados na nuvem ou no servidor da sala do data center.

Como aprender sobre MDM na nuvem

Quem quer entender MDM na nuvem, seja para decidir qual ferramenta contratar, seja para construir carreira na área, precisa primeiro dominar o que é MDM, independente de onde ele roda. Entender dados mestres, qualidade de dados, taxonomia e governança é a base. Depois disso, a parte de nuvem é mais uma camada de arquitetura do que um assunto separado.

A certificação CDMP, da DAMA, é a referência mais reconhecida em gestão de dados no mundo, e cobre os fundamentos que sustentam qualquer discussão sobre MDM, incluindo governança, qualidade e arquitetura de dados. Como abordo no livro Master Data Management: Fundamentos e Aplicações, publicado pela Editora Brasport, entender os conceitos antes de escolher a ferramenta evita o erro mais comum, que é comprar tecnologia achando que ela substitui processo e responsabilidade.

As oportunidades que a nuvem abre no mercado de dados mestres

A redução da barreira de infraestrutura tem um efeito direto no mercado de trabalho. Empresas que antes não tinham orçamento para um projeto de MDM completo agora conseguem contratar uma plataforma em nuvem e abrir vaga para data steward, analista de governança e especialista em qualidade de dados sem precisar primeiro montar um time de infraestrutura. Isso aumenta a demanda por profissional que entende de regra de negócio, processo e qualidade de dado, e não só de quem sabe instalar servidor.

Para quem já atua com SAP, com cadastro de materiais ou com compras, a entrada nesse mercado costuma vir pela experiência prática: quem já viu de perto o estrago de um fornecedor sem homologação ou de um material duplicado tem mais facilidade de explicar, em uma entrevista, por que governança de dados importa, independente de a plataforma estar na nuvem ou não.

Principais dúvidas sobre MDM na nuvem

MDM na nuvem é seguro para dados sensíveis de cliente e fornecedor? É, desde que o contrato com o fornecedor da plataforma defina claramente onde os dados ficam armazenados, quais certificações de segurança a plataforma mantém e como ela trata dados pessoais sob a LGPD, com cláusulas de responsabilidade bem definidas entre a empresa e o fornecedor do serviço.

MDM na nuvem substitui a governança de dados da empresa? Não. A plataforma organiza, valida e centraliza o dado. Quem define a regra, quem aprova a exceção e quem responde pela qualidade do cadastro continua sendo a empresa, com seu comitê de dados e seus donos de dado.

Dá para integrar MDM na nuvem com SAP on-premise? Dá. A integração acontece por API, e a maioria das plataformas de MDM em nuvem já tem conector pronto para SAP, TOTVS e Oracle, independente de o ERP rodar em nuvem ou no servidor da própria empresa.

Migrar de MDM on-premise para MDM na nuvem exige sanear os dados antes? Exige, e esse é o ponto que mais empresa esquece. Levar cadastro duplicado, fornecedor sem homologação e material mal classificado para uma plataforma nova, seja em nuvem ou não, só muda a tela onde o problema aparece.

MDM Academy

Quem quer aprofundar esse tipo de discussão, sem depender só de material disperso na internet, encontra na MDM Academy um caminho estruturado. A MDM Academy é a escola de governança de dados e dados mestres da 4MDG, criada para formar profissional que entende de verdade o que é um programa de MDM, da teoria à implementação, com conteúdo sobre taxonomia, qualidade de dados, SAP, ferramentas de mercado e carreira em governança.

Quem já atua com cadastro, compras, TI ou dados e quer se diferenciar nesse mercado em crescimento pode conhecer a MDM Academy ou entrar no Clube dos Dados, a comunidade que reúne quem vive, no dia a dia, os mesmos problemas de dado ruim que aparecem neste texto.

Conclusão

A nuvem não resolve o problema de dado ruim. Ela resolve o problema de infraestrutura, que durante anos foi usado como desculpa para adiar projeto de governança. Com menos barreira técnica para começar, sobra menos justificativa para empresa continuar cadastrando fornecedor sem homologação ou material duplicado achando que um dia vai sobrar tempo para arrumar isso. O dado mestre continua sendo responsabilidade de gente, a tecnologia só tirou um obstáculo do caminho.

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